um beijo na boca, um tiro no peito

07/06/2005 17:49
Um dia o telefone tocou. Diana estava na cozinha, preparando algo para comer. Não ia mais ao salão, as meninas tomavam conta de tudo e sentiam pena dela. O telefone tocou. Ela estremeceu. Vinha sendo assim nos últimos dias. O toque do telefone, um barulho na rua, palmas no portão... E ela sentia um medo imenso. Mas daquela vez era ele mesmo. "Quero falar com vc", falava com calma. "Não tenho nada a falar..." "Tem sim. Vamos marcar um lugar, quero te encontrar". " Eu não quero" "Tá com medo de mim?"
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19/04/2005 18:16

Outro dia ela estava entrando no Hiper da Lagoa, quando sentiu uma mão apertar seu braço. Puxou com força. "Peraí, Diana. Sou eu, Amarildo, seu primo". "Ai, desculpe Amarildo". "Que cara de susto é essa? Parece que viu fantasma". O coração dela estava aos pulos. Ela envergonhada de demonstrar tanto medo. Mais tarde, Amarildo diria na polícia "Ela parecia que sabia que ia morrer".


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18/04/2005 18:17

O coração de Diana disparava toda vez que o telefone tocava. Atendia tremendo e relaxava quando ouvia a voz de Rosilda ou de alguma das meninas do salão... Mas um dia tocou, ela atendeu e era ele. "Preciso falar com vc", foi logo dizendo. "Ela demorou a responder, mas criou forças e disse "Não temos mais nada pra conversar não". "Temos sim. Ou vc acha que o que vc fez vai ficar por isso mesmo?" "Eu não fiz nada", ela gritou. "Não fez, mas mandou aquele miserável fazer". "Me deixe em paz". "Em paz? Vc vai ficar, sim. Mas é a sete palmos".


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08/04/2005 18:46
"Você deve compreender-me, se qu quis sonhar". Márcio Greyck. Sensação estranha ouvir aquela música. Diana passou umas quatro vezes em frente ao hospital em que Juliano estava. Depois soube que ele voltou pra casa. O bebê também. Ele e a família reunida. Ódio, ódio, ódio, ódio, sensação de morte.
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26/10/2004 19:01

Diana dirigia feito louca pela cidade. Era muito estranho imaginar que Juliano estava vivo. Era ainda mais estranho pensar que ela preferia que aquele homem que ela tanto quis - talvez ainda quisesse - estivesse morto. Não sabia o que pensar. Aumentou o volume do som do carro... Aquele CD que Juliano gravou para ela. Ouviu alguém gritar "tá doida, filha da puta?!" mas nem queria saber de onde vinha o grito. Simplesmente acelerava.

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02/08/2004 16:45

Meire chegou em casa sozinha, o bebê teve que ficar mais um tempo na incubadora. Nasceu meio fraquinho, "com uns problemas", ela, que andava meio calada, se limitava a dizer. A casa estava um brinco. Bianca limpou tudo, o chão estava de um jeito que você podia comer nele. Pôs flores no jarro da mesa e surpreendeu a amiga com paninhos de crochê em cima de tudo quanto era móvel. De crochê também a camisa do liquidificador, um saiote para o botijão de gás... Meire agradecer com um sorriso forçado. Depois que a mãe de Meire arrumou as compras na geladeira e saiu porque tinha não sei o quê a fazer, as duas ficaram em silêncio. Até que Meire falou: "Sabia que tua patroa é mesmo a quenga que roubou meu marido? Isso é coisa dela" Bianca sentiu um frio na barriga, mas logo se recompôs. "Que história, mulher!? Deixe de invenção"


"A bichinha tá que dá pena, mulher. O menino nasceu fraquinho... Vai ver que foi do susto que ela levou vendo o marido ali ensagüentado. Ele ficou uns dias morre-não-morre, mas já está fora de perigo, graças a Deus" Diana ouvia e foi ficando lívida. Sabia agora quem eram os amigos de Bianca. Então ele não estava morto?!



Bianca secava o cabelo de uma cliente enquanto falava
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26/07/2004 21:13

Na semana seguinte, Diana se esforçou para ir trabalhar todos os dias e manter-se o mais calma possível. Leozinho às vezes passava em frente ao salão, olhando de longe, disfarçando... Um dia Rosilda comentou no salão: "Leozinho anda tão esquisito, calado. Não sei o que faço mais com aquele menino, não" Diana saiu em defesa do rapaz: "Que menino, Rosilda?! Leozinho é um homem. E deve ter lá os assuntos dele" "Eu sei que assuntos ele tem. Só pilantragem, só anda com pilantra... Ai meu Deus o que eu fiz para merecer aquele encosto?"


Bianca ligou um dia dizendo que não estava podendo ir trabalhar, mas que explicava assim que pudesse voltar. "Aquela bichinha tá abusando! Eu sou boa, mas tudo tem limite", Diana comentou, mas sem se alterar. Na verdade, Bianca ainda era aprendiz, não fazia muita falta. E ganhava por comissão. O prejuízo então estava sendo dela.



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09/07/2004 19:46

Na hora em que o médico extraía a bala do ombro de Juliano, em outra ala do hospital Meire dava a luz uma menina. Bianca andava de um lado para outro no saguão do hospital, querendo fazer qualquer coisa que fosse, mas não sabia o quê. "Você não tem um calmante pra me arranjar, não?" Perguntou aflita à mocinha de branco no balcão, que riu e disse "vou providenciar".

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27/06/2004 16:12

"Não, não venha agora. Mantenha a calma e vá para casa, não deixe Rosilda perceber nada... Calma" Diana desligou o telefone, sentindo um frio na barriga. Então Juliano estava morto... Leozinho pôs o telefone de volta ao gancho e ficou sob o orelhão, respirando fundo. Queria fazer tudo como Diana dissera, com calma. Não queria pôr nada a perder. Não via a hora de estar com Diana, sabendo que daquele homem não restara nem a sombra.


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28/04/2004 09:34

O primeiro tiro passou de raspão pelo braço de Juliano; o segundo atingiu o ombro; o terceiro, a perna. Ao ver o marido sangrando, da janela, Meire desmaiou. Seu Eurico, dono da mercearia, se prontificou a levar o casal ao hospital. Bianca estava jantando quando a mãe dela, dona Cruz, entrou e com aquela vozinha baixa disse “Acho que aconteceu alguma coisa pro lado da casa de Meire”. Bianca largou o prato de munguzá e saiu correndo. Quando Leozinho dobrou a esquina, Bianca estava chegando ao local do crime, desesperada. “Ai meu deus do céu, ai minha nossa senhora, mataram o marido de minha amiga. Meeeeeeeeeire! Juliaaaaaano!” Houve quem se comovesse com o desespero dela. Também houve quem ponderasse depois, dizendo que Bianca exagerou um pouco. "Travesti é assim mesmo", comentou seu Elivaldo, que mora duas casas depois da de Meire, aquela com a placa VENDE-SE DINDIN.


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28/04/2004 09:32


Juliano parou o celta preto e desceu para abrir o portão. Leozinho saiu de trás da árvore atirando. “Morre cachorro” E atirou uma, duas, três vezes... E saiu correndo pela rua tão apavorado, enquanto os vizinhos saiam para ver o que tinha acontecido. Antes de desaparecer na esquina, olhou para trás e viu uma aglomeração na porta da casa de sua vítima. “Um assassino. Eu sou um assassino. Mas matei por amor. Eu amo aquela mulher”, pensava com orgulho, agora já diminuindo o passo, depois de perceber que ninguém tentara detê-lo.


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28/04/2004 09:31

À tardinha, Meire foi à padaria comprar pão. Chegou em casa e preparou sopa de feijão e café. Viu a novela das sete e achou que era hora de pôr a mesa. Juliano devia estar já chegando. Olhou pela janela e achou a rua tão parada, esquisita. Teve um arrepio, mas tratou de não pensar coisas ruins. Tudo andava tão calmo na vida do casal e ela acreditava que até o bebê nascer não teria mais nenhuma contrariedade.


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28/04/2004 09:31

Por sorte, a luz do poste bem em frente à casa de Juliano e Meire estava apagada. Leonildo se colocou estrategicamente debaixo de uma árvore próximo do portão e ficou à espera. Juliano ultimamente andava pontual, do trabalho para casa, de casa para o trabalho. Não demorava a chegar.


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28/04/2004 09:31

Sozinha em casa, Diana apagou o cigarro, pôs de lado a xícara de café vazia, tirou a roupa e caminhou nua para o banheiro. Falava sozinha: “Quero te ver morto, filho de uma égua” Ligou o chuveiro e entrou sob o jorro de água cantando “detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes pra esquecer”.


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28/04/2004 09:30

Bianca foi à Universidade entregar uns trabalhos que Meire havia digitado. A moça que deveria receber os papéis não estava. Alguém disse: “Entregue ao professor Adalberto... Aquele ali, careca” Careca, gordo e bigodudo, porém simpático, Bianca pensou. Mas quando a viu ele disse assim: “Gosto de você. Eu lhe conheço. Você é uma personagem perdida numa blognovela de quinta que andei lendo na internet” Bianca não entendeu nada e achou que ele era doido.


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28/04/2004 09:29

De repente Diana apareceu falando e rindo muito. Mas não era exatamente felicidade. Era uma alegria estranha, como se estivesse histérica. Contava piadas e ria mais do que todo mundo. Giselda, uma das manicures que é evangélica, trancou-se no banheiro e começou a orar, pedindo a Deus pela patroa e prometendo a si mesma que ia fazer de tudo para apresentar Diana ao pastor.



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12/04/2004 17:53





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12/04/2004 17:43


Leonildo conseguiu um revólver emprestado com Neca, um chegado que lhe devia um favor, ele nem se lembrava mais qual. "Só tem essas três balas, boy. Se tu quiser mais eu dou um jeito" "Pode deixar. Isso resolve"


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12/04/2004 17:40

"Operação sigilosa coisa nenhuma. Eu sei onde tu passou esses dias todos. Eu descobri tudo, Juliano. Eu já sei daquela puta dona de salão" Meire gritava enquanto jogava ao chão pratos e tigelas. Juliano não tentou controlá-la. Quando Meire finalmente caiu sentada, aos prantos, ele tomou-a nos braços calmamente e disse: "Mas agora acabou mesmo. Não vou sair nunca mais de perto de você".


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31/03/2004 09:58

“Desculpe eu vir aqui na sua casa, Diana. Mas você não atende o telefone e eu não posso te procurar no salão” “Entra, Leo” Os dois sentaram e ficaram em silêncio. “Foi aquele cara de novo?” Ela continuou calada. “Não sei o que ele fez, mas só de te ver assim a vontade que eu tenho é de matar o desgraçado” “Mata Leozinho, mata aquele cachorro”, Diana falou baixinho, com um ódio que por um instante assustou Leonildo. Mas logo a abraçou.


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31/03/2004 09:57

Bianca nem precisou se dar ao trabalho. Dois dias depois, Juliano voltou para casa mais apaixonado do que nunca. E Diana retomava o comando do salão. “Chegou calada! Não parece muito feliz da vida, não”, Bianca comentou com Meire, que no dia seguinte resolveu fazer uma visita surpresa à amiga. Bianca entendeu tudo. Diana ainda não tinha chegado, mas na foto que Meire viu sobre o balcão do caixa, com toda a turma do salão, era possível reconhecer: a patroa de Bianca era a piranha que andava deitando com o marido dela. Não comentou nada, só disse que tinha que ir andando.


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31/03/2004 09:57

Leozinho andava louco. “Onde se meteu essa mulher?” Tentou tirar alguma informação de Rosilda. Ela não sabia de nada.


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31/03/2004 09:57

Foi Bianca quem levantou a lebre. “Menina, faz quase uma semana que Dona Diana não aparece no salão. Edilane diz que ela viajou, mas acho que tem homem nessa história” De repente, Meire se levantou, desligou a televisão... “ Peraí Meire, a novela ainda não terminou” “Bote a mão no meu coração, vê como disparou” “ Que é isso mulher, tu vai acabar tendo esse menino agora... Pelo amor de Deus, espera Juliano voltar” “Juliano, aquele nojento. Sabe a coroa loira da foto? Ela pode muito bem ser sua patroa” “Estás é doida! Deixa de ficar viajando...” “Você vai ver que não estou mesmo”, disse Meire, tomando o copo de água com açúcar que Bianca lhe trouxe. “Você não tem como arranjar uma foto dela?” “Ah não, Meire. Aí já é demais, não me enrola nessa história” “Você é minha amiga ou dela?”


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31/03/2004 09:56

O telefonema de Juliano funcionou como gasolina sobre um fogo que já se abrandava. Ele disse a Meire que ia para o interior numa operação sigilosa. “Interior?!” “Nem me pergunte detalhes, porque nem eu sei” Meire não confiava mais no marido, mas fez esforço para acreditar. No trabalho, ele armou um esquema com um colega, com cossentimento do delegado, que o permitira ficar uma semana afastado. “Essa gravidez da mulher tá complicada”, justificou.


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31/03/2004 09:56

“Deu saudade?”, perguntou irônica. “O que é que tu acha?” “E sua mulher tá sabendo disso?” “Tá com raiva é?” “Por quê? Tá parecendo, é?” “Tá” “Pensando bem, depois de ser largada no bar e nunca mais receber um telefonema, eu deveria estar com raiva mesmo”.


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31/03/2004 09:55

Parece que Juliano estava adivinhando. No dia seguinte, domingo, Diana acordou às nove com o telefone tocando. Era Edilane chamando para ir à praia. Não, não ia não. Queria dormir mais um pouco. E só levantou ao meio-dia. Estava preparando qualquer coisa para comer e novamente o telefone tocou. Um frio na barriga e uma felicidade indecisa.
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31/03/2004 09:55


Era tudo tão diferente do Juliano. O corpo magro de Leonildo, o jeito como ele a tocava, o sabor dos beijos. Mas não era ruim, não. Leonildo parecia frágil, delicado, mas ainda assim masculino. Ela olhou para o espelho no teto e ao ver-se enroscada no rapaz sentiu uma imensa saudade de Juliano. Fechou os olhos e pensou “quero gozar”.


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14/03/2004 09:03

As luzes coloridas do letreiro do motel. Diana, ao volante, foi quem pediu: “Um simples” . Leonildo mantinha a mão sobre o joelho direito dela. Quando entraram no quarto, ele a puxou para si e a beijou na boca. Ela entregou-se. Três caipiroscas... estava tonta. Ele pediu “deixa ir no banheiro”. E aí foi quando ela tirou toda a roupa e deitou na cama, de olhos fechados, pensando “Leozinho tem sido tão legal, ele merece”. Mas quando ele se despiu e deitou-se ao lado dela e começou a acariciá-la vagarosamente, ela não resistiu e puxou o corpo dele contra o dela. Estava tontinha...


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14/03/2004 09:02

Deixa ver: terça-feira fez oito dias daquela noitada no bar... Quarta, quinta, sexta, sábado... Foram 12 dias depois do encontro entre Diana, Leozinho e Edilane. Leo ligou para a dona do salão perguntando o que ela ia fazer naquele sábado. Ela disse “nada”. Ele perguntou se podia ir à casa dela, tinha comprado um vinho, um Country Wine tinto. Ela disse “não, na minha casa não” No fundo, já sabia o que ia acontecer e não conseguia nem se imaginar com outro homem na mesma cama em que vivera tão bons momentos com Juliano. “Deixa o vinho pra outro dia. Vamos a um barzinho na praia...” Ele gostou da idéia. O bar tinha mesas e cadeiras na areia e música ao vivo. Leo tomou cerveja; Diana, caipirosca. “Amar é um deserto e seus temores...” cantava o rapaz do violão. Leo alisou timidamente a mão de Diana e vendo que ela não impunha resistência, apertou-a com força.


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14/03/2004 09:02

Meire mudou muito durante a gravidez. Tornou-se agressiva, nervosa, desconfiada e um tanto desleixada. As conversas com Bianca eram a única coisa que a acalmava. Ensinava pontos de crochê e tricô à amiga, enquano fazia o enxoval do bebê, e a outra lhe contava fuxicos do salão, lembranças da vida na noite ou dos tempos em que eram meninas (ou melhor, menino e menina) pelas ruas do bairro.


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